domingo, 21 de agosto de 2011

1º Capitulo - Um sonho tornado realidade (Parte I)






Olhava para a belíssima paisagem, debruçada no parapeito da varanda, do Rio de Janeiro. Já tinha perdido a conta das vezes que me perdia nos pormenores fantásticos da belíssima cidade brasileira naquelas últimas duas semanas. Os meus braços já começavam a dar fraqueza por causa do tempo excessivo que estava naquela posição desconfortável. Coloquei as costas direitas e uma pequena aragem fez com que o meu cabelo liso levantasse voo. Respirei fundo e encarei o último dia naquele hotel como sendo o fim da melhor experiencia da minha vida. Voltei para dentro do quarto e fechei o fecho da minha enorme mala laranja oferecida carinhosamente pela minha avó. Coloquei-a ao pé da porta de saída e de seguida peguei na minha mala e verifiquei se tinha tudo para poder relatar o último jogo. Olhei para as horas no meu telemóvel e assustei-me pois já tinha o Simão à minha espera na recepção e possivelmente também o nosso coordenador. Saí a correr do quarto e desci as enumeras escadas quase a voar pois o elevador demoraria imenso tempo a chegar. Vislumbrei o Simão ao longe a mexer freneticamente no telemóvel, possivelmente, a mandar-me mensagem. Imediatamente o meu telemóvel toca, “mais cedo aparecia mais cedo ele me mandava mensagem”. Corri até ele para não o chatear mais ainda e quando me viu quase me matava com o olhar!
- Já viste bem as horas Débora Sofia?! – ele, mais do que ninguém, sabia perfeitamente o quanto eu odiava que ele me chamasse pelo meus dois nomes. A minha expressão facial mudou de uma de “pedir desculpas” para outra de “vou-te matar”. Nem sequer me designei em lhe responder à pergunta idiota dele e em vez disso fiz apenas uma constatação.
- Já vi que o Alex ainda não chegou! – o nosso coordenador que nos levaria para o estádio ainda não tinha chegado para grande admiração minha já que ele era sempre o primeiro a chegar.
- Ele já chegou e já se foi embora! – disse de forma peremptória o que me fez dar dois passos atrás -  Ele tinha um compromisso que não podia chegar atrasado mas tu – apontou-me o dedo de forma incriminatória – decidiste passar tempo a mais a olhares para o espelho.
- Acalma lá as tuas hormonas! – ao mesmo tempo que desviava aquele dedo irritante apontado a mim – eu não perdi tempo a olhar para o espelho, ao contrário do que pensas. Apenas fiquei a contemplar a paisagem e esqueci-me das horas! Não é o fim do mundo…
- Para ti só é o fim do mundo quando não puderes ires às compras! – eu adorava compras mas aquela afirmação tinha uma boa dose de exagero. Ainda não tinha tido oportunidade de o olhar os olhos mas quando o fiz percebi que realmente aquele atraso não devia ter acontecido – Por causa de ti ele vai ter que voltar ao hotel e já vamos chegar mesmo em cima da hora da final! A nossa sorte é que já temos o local marcado senão queria ver como é que tiraria as fotografias!
- Já percebi! Não precisas de bater mais no ceguinho! Desculpa… - conhecendo-o como o conheço por mais desculpas que pedisse ele não me iria desculpar!
Ele nem se designou a responder-me e foi sentar-se nuns cadeirões que estavam na recepção. Aquele meu acto irreflectido de estar a contemplar a cidade e que me deliciou o coração foi completamente ultrapassado pela cara do Simão. Já me tinha atrasado inúmeras vezes, defeito meu, pois por mais relógios que tenha ou telemóveis, hei-de sempre atrasar-me. Mas já tinha melhorado bastante desde que o conhecera pois de cada vez que chegava atrasada, de castigo, era uma semana sem falar com ele. Algo que não aguentava! Aproximei-me do cadeirão aonde se encontrava a ver as fotografias mas sabia que ele não me iria ouvir por isso tive outra ideia. Peguei no telemóvel e mandei-lhe uma mensagem.
“ Eu sei que foram muito importantes estas duas semanas aqui neste campeonato e que nunca quiseste perder nada dos jogos e por minha culpa, hoje, vais perder a cerimónia de abertura da final. Eu apenas me deixei levar pela paisagem…e sei que não é desculpa nem quero que seja. Também sei que não gostas que te peçam desculpas mas perdoa-me melhor amigo!”
Procurei na minha lista o número dele que se intitulava como M. A. (melhor amigo) e carreguei no enviar. Poucos segundos depois ouvi a música preferida dele dos BEP a tocar. Ficou a olhar para o ecrã enquanto eu ainda me encontrava atrás dele. Estava expectante com a reacção dele até que se vira no cadeirão com um sorriso.
- Estamos a meros centímetros um do outro e tu mandas-me uma mensagem a pedir desculpas? Realmente tu não existes! – o sorriso perfeito dele estava implantado no rosto dele o que me fez saltar para o colo dele como se fosse uma menininha! – Au! És pesada Dé! – sentia a mão dele a sair debaixo das minhas pernas e quando o fez abracei-o
- Desculpa…desculpa…desculpa… - enquanto lhe dava um beijo na face no intervalo de cada palavra que proferia – A sério…não queria nada que perdesses a cerimónia! – o meu tom de voz tinha mudado para um mais baixo para ser apenas ele a ouvir já que o hotel tinha algum movimento
- Eu sei e desculpo-te Dé. Tu és mais importante do que qualquer jogo de futebol!
- Oh que querido! – apertei-o bem para junto de mim e dei-lhe um beijo na testa – tu também és muito importante para mim… - disse-o a olhar nos olhos dele para ter a certeza que ele percebia todo o sentimento que queria pôr naquela afirmação
- Pronto Dé! – ao mesmo tempo que me fazia levantar do seu colo – Já chega de lamechices! Daqui a pouco temos o hotel inteiro a olhar para nós e a pensar que somos namorados! – dei um pequeno saltinho e saí do colo dele e dei um pequeno sorriso envergonhado ao constatar que um casal de idosos olhava para nós de forma carinhosa.
(…)
Ao longe já via o magnifico estádio que se desenhava no horizonte. A adrenalina de uma final começava a manifestar no meu corpo, aquele friozinho a percorrer a coluna fazia-me ter a certeza que aquele era o meu futuro. Peguei no meu caderno, no qual escrevia todas as incidências do jogo, e escrevi no topo “Final”. Olhei para o Simão e notava-se que ele também estava a viver aquele momento muito intensamente.
- Gente, acabamos de chegar! Vou ter que levar vocês lá dentro pra não terem problemas nenhuns com os cartões está bom? – o Alex, o nosso coordenador, olhou para o banco de trás aonde nos encontrávamos quando o carro parou.
- Claro! – respondi sorridente. Saí do carro e constatei que ainda havia muitos adeptos que ainda não tinham entrado. O povo brasileiro era exímio a mostrar todas as suas emoções no que tocava ao futebol, dava para se notar na perfeição o quanto eles vibravam com apenas um objecto redondo.
- Já viste bem este ambiente? É fantástico…único! Nenhuma fotografia é capaz de captar o que há no ar… - o Simão estava completamente encantado com todo o clima gerado à volta daquele estádio e eu também não conseguia passar despercebida de toda aquela emoção.
Entramos, depois de muito custo, numa das portas que estavam abertas que davam acesso ao interior do estádio. Fazia-mos um percurso através de um corredor a um passo acelerado para chegarmos o quanto antes ao relvado. Assim que pisamos a relva do estádio foi uma emoção tal que nem dá para descrever. O público estava fantástico, gritava e torcia ferozmente pela sua equipa favorita e o mais fantástico é que não havia confusões entre adeptos. Em volta das linhas brancas que delimitavam o campo de jogo estavam os fotógrafos e jornalistas vindos de todo o lado do mundo. Eu e o Simão fomos para o nosso cantinho e instalamo-nos. Não tínhamos nada daquilo que os outros jornalistas tinham, nem grandes câmaras, nem grandes currículos, éramos apenas dois jovens encantados com o que víamos. Pouco tempo depois entraram as equipas que iriam disputar a final, finalmente iria começar o espectáculo.

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